Mulher de cardiologista preso no RS suspeito de crimes sexuais presta depoimento
10/04/2026
(Foto: Reprodução) Sobe nº de possíveis vítimas de cardiologista preso no RS
A mulher do cardiologista Daniel Pereira Kollet, preso preventivamente por suspeita de crimes sexuais, decidiu ficar em silêncio durante depoimento à Polícia Civil. A mulher compareceu à delegacia de Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, acompanhada de advogado, na quinta-feira (9).
A esposa de Kollet trabalhou no consultório, em Taquara, onde os crimes teriam ocorrido. Ela é profissional da área da saúde e teria atuado na recepção do local também, segundo o delegado Valeriano Garcia Neto.
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O advogado Ademir Campana, que representa a mulher e o médico, diz que ela "nunca presenciou qualquer conduta relacionada às acusações dirigidas ao seu marido, tampouco teve conhecimento dos fatos".
Já chega a 40 o número de possíveis vítimas do médico, conforme atualização da manhã desta sexta-feira (10). Todas são mulheres que registraram ocorrência e já prestaram depoimento.
Segundo o delegado Valeriano, são, na maioria, pacientes do cardiologista. São apurados os possíveis crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável.
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Na quarta-feira (8), agentes fizeram buscas em endereços ligados a Kollet. Foram apreendidos pendrives, telefones e computadores. O próximo passo será analisar o conteúdo do material recolhido.
Campana sustenta que "há menções envolvendo pessoas que, em princípio, sequer eram pacientes do profissional investigado". O advogado acrescenta já foi protocolado pedido de liberdade do cardiologista e afirma "que seu cliente mantém a negativa quanto às imputações que lhe são atribuídas".
Denúncias anônimas pode ser feitas no telefone (51) 98443-3481.
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Prescrição de medicação controlada
Segundo o delegado, uma das pacientes relatou à polícia que Kollet a prescreveu o uso de medicação controlada e pediu que ela retornasse ao consultório periodicamente.
"Foi abusada várias vezes, porque ele mandava voltar na clínica. Ele dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática. A vítima andava dopada, se arrastando. Ela está vulnerável, então configura estupro de vulnerável", explica Valeriano.
A mulher teria percebido que havia alguma coisa errada e levou uma familiar junto na consulta. "Nesse dia, ele não encostou um dedo nela", diz o delegado. A paciente buscou outro profissional, que afirmou que ela não tinha problema de saúde e não precisava tomar remédio.
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Divulgação/Polícia Civil
O que diz a defesa sobre a médico
"NOTA À IMPRENSA
Esclarecimentos da Defesa
O escritório CAMPANA ADVOGADOS informa que está atuando no caso, adotando todas as medidas cabíveis.
A defesa registra que, na tarde de hoje, passou a ter acesso integral ao conjunto dos inquéritos policiais relacionados às supostas vítimas, o que permitirá a análise mais ampla dos elementos investigativos.
Em avaliação inicial, verificamos que a grande maioria dos fatos mencionados refere-se a relatos antigos, remontando a anos atrás, bem como que há menções envolvendo pessoas que, em princípio, sequer eram pacientes do profissional investigado, circunstâncias que serão devidamente apuradas no decorrer do processo.
A defesa esclarece que não irá se manifestar, neste momento, sobre situações específicas ou casos individualizados, em razão do sigilo que envolve os procedimentos, bem como para preservar a adequada condução da apuração e o próprio exercício do direito de defesa.
Ressaltamos que a ampla divulgação do caso tem gerado significativa repercussão, motivo pelo qual a defesa atuará com cautela e responsabilidade na análise individual de cada situação.
Registramos, ainda, que já foi protocolado pedido de liberdade, o qual aguarda análise pela autoridade judicial competente.
Por fim, a defesa afirma que seu cliente mantém a negativa quanto às imputações que lhe são atribuídas, aguardando o regular andamento do processo para o devido esclarecimento.
CAMPANA ADVOGADOS"
O que diz o Cremers
"O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso. A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis."
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