Empresa aposta em petiscos de insetos e larvas como alimento alternativo e tenta liberação para consumo humano
25/03/2026
(Foto: Reprodução) Empresa aposta em petiscos de insetos e larvas como alimento alternativo e tenta liberação
Alimentos à base de insetos e larvas para consumo humano. Essa é a aposta de uma empreendedora gaúcha como uma fonte nutritiva alternativa para o futuro.
Adriana Bender é uma empreendedora, CFO e cofundadora da startup gaúcha Insect Protein – Produtos Sustentáveis. Ela participa do South Summit Brazil, em Porto Alegre, para apresentar sua ideia.
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A startup busca sustentabilidade produzindo petiscos comestíveis e farinhas à base do inseto Tenebrio Molitor, conhecido também como larva-da-farinha. O inseto já é comercializado como ração animal para pets, mas a empresa busca certificação para comercializá-lo como alimento humano.
“No Brasil, só é permitido para alimentação animal, mas fora ele já é consumido na Ásia toda há muito tempo. Este inseto é considerado um alimento seguro na Europa desde 2023. Então, é considerado lá um alimento. Estamos fazendo pesquisas científicas para daí tentarmos uma regularização para o consumo humano”, relata Adriana.
Para ela, apesar das muitas exigências sanitárias necessárias para uma certificação, a principal barreira ainda é cultural.
“Hoje, temos uma barreira cultural muito grande. Quando a gente fala em insetos comestíveis, todo mundo se apavora, já pensa que vai matar. Mas nem todo inseto é uma praga. Esse é um inseto muito nutritivo e muito proteico. Tem 53% de proteína na forma integral e 30% de gordura, sendo que são aquelas gorduras boas, que é ômega 3, ômega 6”, explica a empreendedora.
Atualmente, o produto já é comercializado em forma de biscoitos para cães. Enquanto isso, testes buscam demonstrar a segurança sanitária para alimentar pessoas.
“Somos a única empresa no Brasil certificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para criar este inseto. Temos todos os rigores da legislação, da regulamentação que é necessária. Como o Mapa é muito exigente, nós levamos um ano e meio para conseguir a certificação”, afirma.
“A gente cria em ambiente controlado, mas ele existe na natureza. Ele é uma praga dos moinhos de trigo. Ele veio da Europa, com o trigo. Mas hoje ele é natural aqui, ele já existe aqui há muito tempo”, continua.
Nesta edição do South Summit Brazil, a empreendedora produziu um browine de chocolate que leva de 10 a 15% de farinha da larva desidratada do inseto (confira no vídeo). “O brownie é fruto de uma pesquisa junto do IFRS de Erechim, da Luana Rampi, que fez no ano passado”, conta Adriana.
Empresa produz petiscos para pets à base de insetos
Insect Protein / Divulgação
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