Bebê prematuro que morreu após testar positivo para superbactéria em hospital tinha irmão gêmeo, que segue internado no RS
22/04/2026
(Foto: Reprodução) Bebê prematuro que morreu após testar positivo para superbactéria tinha irmão gêmeo
O recém-nascido extremamente prematuro que morreu após testar positivo para uma superbactéria em um hospital de Porto Alegre tinha um irmão gêmeo, que segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Fêmina.
O bebê que morreu havia nascido com 26 semanas de gestação e 600 gramas estava entre os quatro pacientes da UTI Neonatal que testaram positivo para a bactéria Acinetobacter baumannii.
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Em 2024, a bactéria foi considerada uma das mais perigosas do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Saiba mais abaixo.
Segundo o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), a bactéria é multirresistente, sensível a antibióticos e "comum em ambientes hospitalares".
Hospital Fêmina fecha UTI neonatal após surto de superbactéria
Reprodução/ RBS TV
A Acinetobacter baumannii é associada principalmente a infecções hospitalares. Segundo especialistas, ela é pouco agressiva, mas apresenta alto grau de resistência aos antibióticos atualmente disponíveis.
"É uma bactéria pouco agressiva, mas muito resistente, de modo que não existe mais antibiótico para usar e a gente acaba tendo que resgatar antibióticos muito antigos, como drogas usadas 70 anos atrás e que acabam sendo muito tóxicas", explica o médico e presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia, Alessandro Pasqualotto.
O hospital não informou se o irmão gêmeo, que segue internado, também testou positivo para a bactéria.
Internações
Hospital Fêmina fecha UTI neonatal após surto de superbactéria
Reprodução/ RBS TV
Ao todo, 34 recém-nascidos estavam internados na UTI Neonatal no momento da identificação da bactéria. Até esta publicação, 23 pacientes já tiveram alta.
Além do bebê que morreu, outros três testaram positivo e seguem em estado estável, segundo GHC. Eles estão isolados e recebem acompanhamento de uma equipe exclusiva, sem contato com outros setores do hospital.
"Esses bebês estão em tratamento intensivo, recebendo antibióticos e mais uma série de cuidados que é necessário para prematuros tão extremos", explica a diretora de atenção à saúde do Grupo Hospitalar Conceição, Rosana Reis Nothen.
Após a detecção da bactéria, o hospital fechou temporariamente a UTI Neonatal e adotou medidas de contenção, como a suspensão de novas admissões e a realização de testes em todos os bebês internados no setor.
As gestantes de alto risco estão sendo redirecionadas para outras maternidades da capital.
O caso é monitorado pelo hospital, pela Vigilância Sanitária e pelas secretarias municipal e estadual da Saúde.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que está apoiando "o redirecionamento de gestantes de 20-35 semanas para as demais maternidades da capital, garantindo a continuidade do atendimento. Por medida de segurança e monitoramento de rotina, novas admissões na unidade estão temporariamente suspensas." Leia, abaixo, na íntegra.
Segundo o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), foram acionadas as secretarias municipal e estadual da Saúde, além da Vigilância Sanitária. A área afetada passou por isolamento total, com bloqueio de circulações internas, suspensão temporária de novas admissões e realização de testes em todos os bebês internados no setor.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) disse que "está acompanhando a situação, em diálogo com a SMS, e à disposição para auxiliar no que for necessário".
Superbactéria
A Acinetobacter baumannii, bactéria detectada no hospital do RS, foi listada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2024 como uma das bactérias mais perigosas do mundo.
A OMS classifica as bactérias como perigosas com base em vários critérios:
Taxas de mortalidade
Incidência (número de infecções)
Impacto na saúde
Desenvolvimento de resistência
Transmissibilidade
Evitabilidade
Opções de tratamento
Desenvolvimento de novos medicamentos
A Acinetobacter baumannii é descrita como um "patógeno bacteriano oportunista emergente" associado a infecções hospitalares.
O risco de infecção aumenta conforme o tempo em que os pacientes permanecem hospitalizados. Pessoas com sistemas imunológicos vulneráveis estão particularmente em risco. A Acinetobacter baumannii também é resistente aos carbapenêmicos.
💊 Carbapenêmicos são os chamados antibióticos de reserva, que são utilizados somente em último caso, quando não há outra alternativa. O uso indiscriminado destes antibióticos promove o desenvolvimento de resistência.
O que diz o GHC
"Bactéria identificada na UTI Neonatal do Fêmina é sensível a antibióticos
1. A primeira informação relevante é que a bactéria encontrada na UTI Neonatal do Hospital Fêmina é multirresistente e sensível a antibióticos, que passaram a ser usados para o tratamento e combate imediatos. Não se trata, portanto, de bactéria pan-resistente.
2. No dia 16/04, quando o Hospital Fêmina detectou a presença da bactéria acinetobacter baumannii, na UTI Neonatal, imediatamente, todos os órgãos de controle e regulação do sistema de saúde em Porto Alegre foram avisados e a Unidade foi fechada para o recebimento de novos pacientes. Os hospitais do GHC atuam como sentinela para situações sanitárias. Por esta razão, o comunicado foi imediato para todo o sistema.
3. O hospital adotou o acompanhamento dos internados por três equipes distintas: uma atende pacientes sem nenhum contato com a bactéria, outra atende pacientes que tiveram contato, mas não positivaram e o terceiro grupo que atende exclusivamente os três pacientes que foram detectados com a bactéria.
4. Dos 34 pacientes internados no Fêmina e testados no dia 16/04, quatro positivaram para a bactéria. Infelizmente, um deles, em situação de prematuridade extrema, com 26 semanas de gestação e parto considerado de alto risco, veio a óbito. Os outros três bebês estão estáveis e isolados, sendo acompanhados por equipe exclusiva de cuidados, sem contato com outros setores. Desse total, 23 pacientes já tiveram alta.
5. As equipes clínica e de enfermagem do Hospital Fêmina vêm atuando de forma diligente, garantindo que nenhum paciente internado ou gestante que tenha buscado o hospital fiquem sem atendimento ou expostos a situações de risco."
O que diz a SMS
"A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre acompanha a execução dos protocolos de controle sanitário na UTI Neonatal do Hospital Fêmina e está apoiando, através do SAMU e da Regulação Municipal, o redirecionamento de gestantes de 20-35 semanas para as demais maternidades da capital, garantindo a continuidade do atendimento. Por medida de segurança e monitoramento de rotina, novas admissões na unidade estão temporariamente suspensas."
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